Publicado por: Evandro Dias | 02/08/2011

Minhas experiências XI

A fartura acabou?

Quem mora na cidade sabe: No mundo capitalista o dinheiro é a coisa mais importante, sem ele não temos como comprar nossa roupa, pagar o aluguel e as contas, remédios e às vezes até mijar. Hehehehe

Mais importante: quem não tem grana não come.

No interior a vida era muito diferente. Eu e uma parte dos meus irmãos ainda fomos criados em um tempo de fartura – época em que lanterna de pilha era para poucas pessoas. Meu pai tinha uma “poronga” feita de lata de óleo de cozinha com uma lamparina com querozene. Papai trabalhava muito, tinha grandes roçados de banana, açaizal e mandioca. Sua produção de banana por quizena era aproximadamente de quinhentos cachos, apesar de tudo isso nunca chegou a ter um saldo na mão do seu “patrão”, sempre estava devendo, os preços dos produtos (fornecidos e recebidos) eram sempre definidos de forma injusta desse modo seu patrão sempre levava vantagem, o que nos deixava eternamente endividado, nesse sistema de troca, entregando banana, açai e farinha e recebendo: Açúcar, fósforo, querozene e etc…

Enfim, dinheiro não tinha, mas tinha muita fartura. Quando não havia comida em casa, papai dizia – Deixa escurecer que eu vou dar uma faxiada no igarapé. Às vezes eu era o piloto da canoa. Meia hora era suficiente para pegar dois a três kilos de peixes e nossa janta estava garantida.

Hoje é diferente: temos dinheiro, mas não temos mais fartura. Infelizmente agora quem mora no interior tem que ter dinheiro também para se sustentar, pois a natureza ja não providencia tudo que precisamos.

Muitos animais estão quase extintos; o peixe está se acabando e a população crescendo. Provalmente os recursos naturais vão acabar, e nosso povo vai ficar na balsa como diz o ditado. A caça ja não tem mais, peixe tampouco e assim outras espécies.

Porém, quem mora no interior ainda tem uma grande vantagem, pois tem terra pra plantar e produzir o próprio alimento de forma sustentável.
Está na hora de pensar no futuro, como vai ser nossa alimentação? Será que vamos ter comida suficiente na nossa mesa?

Na Somália, Bangladesh, Etiópia e outros países do Continente Africano, tem milhares de crianças morrendo de fome, coisa que a mídia pouco divulga. É triste e preocupante mas ja vivemos nos tempos das vacas magras.

Uma criança na Somália

Muitos anos na casa do papai lá no interior, todo o carroço do açai batido parava na água. Agora imagina comigo, eles consomem em média duas cestas de açai por dia, isso deve dar uns 30 kilos de carroço de açai. Fazendo as contas, por ano mais de dez mil toneladas de carroço que vão para o rio. Um tremento absurdo, mas é assim que funciona na maioria das casas no Pracuúba Grande (rio no município de São Sebastião da Boa Vista). Jogando fora o que poderia ser transformado em composto orgânico para o cultivo de pequenas hortas caseiras. Se a natureza não consegue mais nos alimentar, temos que achar outras alternativas de forma sustentável.

Precisamos criar peixe, galinha caipira, fazer uma pequena horta caseira aproveitando o carroço do acai como composto.

O que não dar mais é ficar parado, está na hora botar a mão na massa temos que plantar e criar e incentivar as pessoas também dando um bom exemplo.

Daí teremos fartura de novo, saudável fruto do nosso trabalho.

Por isso, estou incentivando minha família a plantar e criar como vocês podem ver nas fotos abaixo:

Papai dando ração pra galinha caipira


Papai dando ração para tambaqui


Minha irmã cuidando de um pequena horta

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Responses

  1. Tô com saudade! Venha logo…


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