Publicado por: Evandro Dias | 23/01/2011

Minhas experiências III

Faz um bom tempo, que não coloco meu pé numa peconha, mais tenho certeza que ainda dou conta de apanhar um “bebi”. O açai é uma coisa que sinto falta, assim como a Julia sente falta do pão Alemão. Minha maior apanha foi 25 latas, das seis da manhã ao meio dia, apanhei, debulhei e carreguei. Do trabalho do mato fiz um pouco de tudo relacionado com, e por isso sou apaixonado em plantar e criar. Adimiro muito meu pai e minha mãe, eles dois juntos trabalharam muito duro para sustentar doze filhos, apesar da vida ser dura, nunca ouvir meu pai reclamar. As vezes faltava comida em casa, mais farinha nunca, sempre na lata enferrujada no canto do quarto, tinha para o nosso consumo e ainda servia os vizinhos quando não tinham. Mamãe então, sempre dava um jeito pra tudo e por isso eu-os adimiro muito pelas suas bravuras. Pois sei o quanto é dura a vida de quem trabalha no pesado, muitas da vezes com fome, como meu próprio pai fez muitas vezes, mais sempre com a esperança que a vida ia melhorar.

Eu e meus irmãos, somos todos formados como trabalhador rural, lavrador, agricultor, extrativista, enfim tudo é a mesma coisa. Ainda tem alguns que são pescador, só que de pescador não tem nada, é só para pegar o seguro desemprego do governo. Foi a formação que Papai e Mamãe conseguiram dar pra nós, e eu sou muito grato por isso.

Estudar quando se tem oportunidade, aprender a trabalhar, plantar e criar, é prioridade na vida de um ser humano, se você tem uma formação acadêmica com certeza terás um bom emprego, se sabe trabalhar na agricultra produzirá o seu próprio alemento, e se não sabe fazer nada, está na roça como diz o ditado popular. Por outro lado, tem muita gente com vontade de plantar e criar, só que infelizmente não tem nem onde morar, como aqui nas Filipinas. Na América Latina, a situação é considerada “séria” na Bolívia, Guatemala e no Haiti, além dos Países Africanos, Asiáticos. Segundo um estudo do Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares um bilhão de pessoas estão passando fome, isso é muito triste, pra quem realmente sabe a dor de uma fome. Por essas razões sou um grande motivador do meu pai, dos meus irmãos e dos amigos, que a solução da fome é plantar e criar. Lógico que tudo que consumimos como alimento é plantado ou criado, agora nós não temos a preocupação de saber sua origem. Carne e frango hoje estão cheio de antibóticos e hormônios para crescimento e as verduras de agrotóxicos. E agora o que fazer? Tem gente passando fome e ao mesmo tempo tudo que consumimos está cheio de veneno.

Quando cheguei aqui nas Filipinas, fiz questão de alugar uma casa que estivesse um jardim um pouco grande. Depois de conseguir não perdi tempo, comprei todas as feramentas e começei a obra.

Preparação do terreno

Depois de quatro meses já estou começando a colher meus primeiros frutos. Estou muito feliz por isso. O único problema são as pragas que atacam direto, estou combatendo usando inseticida natural como a caldo do tabaco, óleo de neem e fazendo o controle diariamente. Não vou aplicar veneno tóxico, prefiro colher pouco mais de forma saudável. Vi que no Brasil, na ultima safra as empresas produtoras venderam nada menos do que um bilhão de litros de venenos agrícolas. Isso representa uma media anual de 6 litros por pessoa ou 150 litros por hectare cultivado. As empresas não querem nem saber da nossa saúde, eles querem é grana. Pois a única forma de produzir muito é usando agrotóxicos.

Já comprei muita verdura e fruta pela aparência, coisa que hoje não faço mais, toda a beleza de um pimentão ou de um tomate, na feira ou supermecardo é só veneno. Caso optarmos pelos alimentos de cultivo tradicional (com veneno), o ideal é que façamos a escolha dos produtos de tamanho menor. Isso geralmente indica que eles foram menos agredidos pelo uso do agrotóxico. Outra dica é descascar bem qualquer alimento cultivado na maneira tradicional, ou lavar bastante em água fresca, já que o veneno contido nas plantações sobrepõe-se ao beneficio que a casca do alimento possui.

Eu gosto de incentivar as famílias a fazerem pequenas hortas e produzir de forma orgânica o seu próprio alimento. Incentivei minhas irmãs a fazerem uma horta, lá em casa, tinha de tudo, só faltava disposição. Em uma semana ficou pronta. Hoje está produzindo e minhas irmãs ainda estão faturando uma grana vendendo pimenta.

Finalizando digo o seguinte: Tudo que consumimos está cheio de veneno. E com isso nossa saúde vai embora.

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Responses

  1. Falou, meu amigo do Marajó!
    É muito bom nós conscientivarmos nossas comunidades para procurarem comida mais saudável. Parabéns para sua iniciativa!


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